quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Algo Sobre Serpentes

As serpentes, também chamadas de cobras ou ofídios, são um grupo de répteis da ordem squamata (serpentes e lagartos), que não possuem membros locomotores. Surgiram a cerca de 135 milhões de anos atrás, porém sua origem é assunto de grandes discussões entre os cientistas. A hipótese mais aceita durante os últimos anos é a de que as serpentes tenham surgido a partir de um lagarto marinho, chamado Pachyrhachis problematicus. Entretanto, o pesquisador brasileiro Hussam Zaher através de suas pesquisas concluiu que os lagartos que originaram as serpentes eram na verdade terrestres, de hábito fossorial. Segundo Zaher, esses lagartos viviam entocados sob a terra em galerias muito estreitas, onde capturavam suas presas. As pressões do meio acabaram por reduzir gradualmente suas patas até que estas se tornaram ausentes, ao mesmo tempo em que seus corpos se alongaram.
Destacarei quatro famílias de serpentes: Boidae, Colubridae, Elapidae e Viperidae. A família Boidae é representada pelas jiboias, sucuris e pítons. Não são peçonhentas e sua dentição é áglifa, ou seja, elas não possuem presas (colmilho), apenas pequenos dentes que servem para agarrar a presa e funcionam como uma esteira, deslizando a presa até o esôfago da cobra. Elas abatem suas presas por constrição, enrolam-se nestes e os matam asfixiados ou mesmo através de fraturas e hemorragias internas causadas pela constrição.  
As cobras não mastigam seus alimentos, elas engolem suas presas inteiras. Isso é possível devido a modificações no osso quadrado, localizado nas extremidades da mandíbula, que permitem uma maior abertura desta. Aliado a isso, as cobras não possuem a mandíbula fundida na sua parte mediana, mas sim, uma articulação flexível que permite uma dilatação lateral da mandíbula.
 Voltando às famílias, a família Colubridae, representada pelas cobras-d’água, é caracterizada (em grande parte) por serpentes não peçonhentas. Sua dentição é opistóglifa, ou seja, seus colmilhos estão localizados na região posterior do céu da boca.
 As serpentes da família Elapidae são as cobras corais verdadeiras (gênero Micrurus), sua dentição é proteróglifa, seus colmilhos estão na região posterior da parte superior da boca. São animais pouco agressivos, sua boca se abre num ângulo de apenas 30 graus, e costumam esconder-se sob as folhagens. Os acidentes com essas serpentes são raros em virtude de seu comportamento e também por não armarem bote. Seu veneno  é neurotóxico, de baixo peso molecular e se espalha rapidamente pela corrente sanguínea, podendo causar uma rápida morte por asfixia.
 A família Viperidae, é caracterizada pelas principais serpentes peçonhentas. Sua dentição é solenóglifa, seus colmilhos são articulados e se projetam para fora da boca quando a serpente se prepara para atacar sua presa. Seus representantes possuem um órgão especial chamado fosseta loreal, localizada entre a narina e os olhos da serpente.  Este órgão tem a função de detectar calor o calor de suas presas. Os principais gêneros dessa família são Bothrops, Lachesis e Crotalus. O primeiro diz respeito às jararacas, jararacuçus.  São serpentes agressivas, responsáveis pela maior parte dos acidentes com cobras no brasil. Sua peçonha tem propriedade proteolítica (destrói proteínas), podendo causar muita dor, hemorragias e necrose.  O gênero Lachesis são as serpentes conhecidas como surucucus. A ação de sua peçonha é semelhante à da Bothrops, causando dor intensa, hemorragias, necrose e bolhas. Seu efeito é também é coagulante.  As serpentes do gênero Crotalus são as famosas cascavéis. São caracterizadas pela presença de seus guizos em suas caudas e sua peçonha tem ação miotóxica, neurotóxica, podendo também, causa falência dos rins e hemoglobinúria (sangue na urina).


LEITURA RECOMENDADA

POUGH, F. H. A vida dos vertebrados. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 1999.
http://www.cobrasbrasileiras.com.br/tratamento-acidente-lachesis.html
http://www.univap.br/cen/boidae_serpentario.php
http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/zoologia/estudo-de-brasileiro-reconsidera-evolucao-de

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O Tubarão e o Salmão

        Em tempos de colegial, minha percepção sobre o mundo era muito simples, como a de qualquer pivete. Quando pensava em animais por exemplo, tinha em mente a existência de cinco grupos distintos: peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Afinal, era assim que me era ensinado, e acredito que assim todos nós aprendemos. Quando comecei a cursar biologia, logo na primeira aula de zoologia (estudo dos animais), minha professora fez uma pergunta à classe :
        - Qual desses animais é um parente mais próximo do salmão, o tubarão, ou a lagartixa?
        Cocei o queixo, intrigado. Pra mim não fazia o menor sentido aquela colocação. A lagartixa é um réptil. O salmão é um peixe, e o tubarão também, diabos! Não tinha dúvidas, mas estava fácil de mais e acabei hesitando. Alguém da turma respondeu confiante tubarão e caiu na "trap" da professora. Era uma cilada, Bino. Mas como assim, então seria mesmo o salmão um parente mais próximo de uma lagartixa, um réptil? Segundo alguns pesquisadores, sim. 
         Segundo Pough et al, o grupo dos peixes é o grupo mais diverso dentre os vertebrados. Contamos com diversos tipos de organismos distintos: desde os poderosos e iluminados peixes abissais, até o mais colorido e simpático dos peixinhos ornamentais. O fato de habitarem o mesmo ambiente foi crucial para a formação desse grupo por parte do homem, o que é mais que natural. Didaticamente é maravilhoso, facilita o aprendizado dos mais jovens e é o suficiente para quem não precisa conhecer muito sobre esses assuntos. Porém, observando de perto um tubarão e um salmão vemos de cara uma grande diferença: o esqueleto. O salmão possui esqueleto ósseo, o tubarão é completamente cartilaginoso. Ou seja, se considerarmos o esqueleto um caractér determinante para a designação de parentesco entre espécies, o salmão é mais parecido com nós, humanos. Conclusão: humanos são peixes (WTF!?). Além do mais, o tubarão possui diversas outras características que não conferem com os outros peixes ósseos, como as Ampolas de Lorenzini - órgãos sensitivos encontrados no focinho do animal -; a ausência de bexiga natatória - orgão homólogo ao pulmão que auxilia na flutuabilidade -; o tipo de reprodução através do clásper, exclusivo dos peixes cartilaginosos; e por aí vai. A hipótese a qual me refiro baseia-se num conceito conhecido como Convergência Adaptativa. Ela fala sobre organismos de origens evolutivas diferentes, mas que apresentam características morfofisiológicas em comum. Imagine uma mosca e um gavião, ambos possuem asas, mas qual o nível de parentesco entre eles? Muito distante eu diria. Podemos imaginar o mesmo com o peixe-boi, o golfinho e as baleias, que sabemos que não são peixes mas que são muito parecidos. Esse é o pensamento que temos que ter em relação ao salmão e o tubarão. As pressões exercidas pelo meio, no caso os mares, moldaram não só estruturalmente como fisiologicamente os organismos que nele vivem. É o que Darwin chamava de Seleção Natural.
         Por outro lado, segundo Pough e seus misteriosos colaboradores, há indícios de que os primeiros ancestrais dos peixes modernos eram ósseos, como os extintos Placodermes, que eram verdadeiros fortes ambulantes (isso desmente tudo o que eu falei até agora, podem me odiar) . Portanto, a presença ou não de um esqueleto calcificado não seria uma característica evolutiva pertinente. Pough apresenta teorias que discorrem sobre o aparecimento e desaparecimento do esqueleto calcificado e que o fato de eles encontrarem-se mineralizados ou não, seria uma sutil diferença apenas. Nos humanos, os bebês recém-nascidos não possuem seus ossos completamente mineralizados, eles são parcialmente cartilaginosos. Esse fato, ao meu ver, favorece essa ideia. Talvez não sejamos peixes afinal :(


Referências: POUGH, F. H. A vida dos vertebrados. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 1999.
http://marte.museu-goeldi.br/marcioayres/index.php?option=com_content&view=article&id=12&Itemid=13
http://biologo.com.br/tubarao/
http://www.portalbrasil.net/educacao_seresvivos_origem.htm


terça-feira, 2 de agosto de 2011

O Desmatamento e Eu

Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o desmatamento na Amazônia Legal aumentou em 28,3% no mês de Junho em relação ao ano passado. Isso equivale a mais de 195 Parques Ibirapuera, uma área de 312, 7 km². De fato, as discussões e impasses sobre a nova legislação do Código Florestal, abriram uma brecha para o Massacre da Serra Elétrica,  que provavelmente continuará até que o novo Código seja estabelecido. Enquanto isso temos que aturar promessas de políticos tão carismáticos quanto um moedor de carne, passivos como um Chester pronto para o abate.

Durante essas reportagens costumo me perguntar: e daí? Amanhã vou acordar tomar meu café e ir pra faculdade, como de praste, sem nem me dar conta dessas informações. A importância real sobre o desmatamento, ao meu ver, nem sempre, ou melhor, quase nunca é destacada. Por que, a Amazônia uma porra de um lugar lá nos infernos me interessa? Talvez você já tenha ouvido falar que a Amazônia é o "Pulmão do Mundo", que contém o maior reservatório de água doce do planeta, ou que o desmatamento causa o desaparecimento de espécies raras de vegetais e animais.

 O Bioma Floresta Amazônica, apesar de sua grandiosidade é extremamente sensível. Em razão às altas temperatura e umidade, o índice de chuvas é bem elevado. Isso acarreta num processo chamado de lixiviação: que consiste numa lavagem, no carreamento de matéria orgânica, sais e outros minerais através da chuva, resultando num empobrecimento do solo. Portanto, uma área desmatada na Amazônia terá uma particular dificuldade em se recompor. Imaginemos o seguinte: uma extensa área violada terá sua temperatura elevada em decorrência da ausência de vegetação (que capta umidade e controla a temperatura) o que resultará numa seca que pode se alastrar para lagos e rios, "secando" literalmente toda vida ao redor.

Segundo a Unesco, 97,5% da água no mundo está contida nos oceanos e os restantes 2,5% são doce, sendo que somente 0,007% dessa água está contida em lagos e rios na superfície terrestre, pronta para o consumo. A maior parte da água doce está contida nos pólos.


Fonte: Livearth
                                                                             
                                                                                                                   


Referências: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-05-25/codigo-florestal-muda-lei-ambiental-em-vigor-desde-1965
http://www.amazonia.org.br/
http://www.uniagua.org.br/public_html/website/default.asp?tp=3&pag=aguaplaneta.htm
http://notapajos.globo.com/lernoticias.asp?id=32474

Post Inicial

Boa tarde, é um prazer conhecer vocês. É a primeira vez que faço um blog e talvez (semente talvez) eu venha postar algo nessa budega, tenho alguns afazeres mais que pendentes =/. Só quero dizer que aqui compartilharei minhas experiências como aluno UFRRJ, bem como reportagens sobre biologia, música e o que eu mais quiser, afinal o blog é meu. Minha intenção é ocupar minha mente vadia com algo útil.

Obrigado e até a próxima.

Frost